Eventos de Massa no Algarve
- Pedro Marques Mendes

- há 19 horas
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De acordo com a Organização Mundial da Saúde, um evento de massa é definido como um evento planeado ou espontâneo, onde existe a concentração de um determinado número de pessoas num local e período de tempo definidos, que pode sobrecarregar os recursos de planeamento e resposta da comunidade anfitriã. Podem ser festas populares, festivais de música, competições desportivas ou celebrações culturais/religiosas [1,2].
Esta concentração de indivíduos pode favorecer a introdução e disseminação de doenças transmissíveis, aumentar o número de comportamentos de risco (consumo de álcool, substâncias psicotrópicas, violência) e, assim, pressionar os serviços de saúde, por si só já sobrecarregados. O risco depende das características dos participantes e da população anfitriã (idade, país de origem, estado de saúde, situação vacinal), tipo de evento, condições ambientais e do planeamento e capacidade de resposta instalados [1, 3, 4].
A complexidade dos eventos de massa exige um planeamento e preparação sob uma abordagem multidisciplinar, envolvendo múltiplos parceiros da comunidade: Autarquias, Promotores, Proteção Civil, Forças de Segurança, Bombeiros e entidades prestadoras de cuidados de saúde.

Na região do Algarve realizam-se diversos eventos de massa de expressão nacional e internacional, como a Concentração Internacional de Motos de Faro, o AfroNation, o MotoGP, a Festa da Ria Formosa, a FATACIL, entre muitos outros. Apesar das características próprias de cada evento, a abordagem da Equipa de Saúde Pública assenta sempre em princípios comuns, estando a mesma dividida pelas diferentes fases do evento: antes, durante e depois. Antes do evento, através da avaliação e gestão de risco, planeamento e preparação; durante, através da vigilância epidemiológica e deteção precoce de perigos para a Saúde Pública; e após, pela avaliação e incorporação das aprendizagens em futuras intervenções. A comunicação interinstitucional e a promoção da saúde são transversais a todo o processo [1, 3, 4].
Neste âmbito, no primeiro dia do evento, é realizada a vistoria ao recinto e aos estabelecimentos alimentares por uma Equipa de Saúde Pública constituída por Médicos de Saúde Pública (MSP)/Autoridade de Saúde (AS) e Técnicos de Saúde Ambiental, podendo (e devendo) também integrar a equipa Médicos Internos de Saúde Pública (MISP) e/ou de Formação Geral, numa vertente formativa.
De forma a garantir uma avaliação uniforme em toda a região, são utilizadas checklists padronizadas quer para a avaliação do recinto, quer para a avaliação dos estabelecimentos alimentares. A nível do recinto avalia-se, entre outros aspetos, os acessos, a disponibilidade de água potável, a gestão de resíduos, as instalações sanitárias e os recursos humanos e materiais do posto médico. Nos estabelecimentos alimentares são avaliados, ao detalhe, aspetos de higiene e segurança alimentar, especificamente relativos aos passos de produção, armazenagem, transporte e exposição de géneros alimentícios. Mais do que uma vistoria, pretende-se que seja uma intervenção pedagógica e de melhoria contínua, promovendo medidas preventivas e reduzindo riscos para a saúde da população.
Os eventos de massa permitem, assim, aplicar e desenvolver competências essenciais do MSP, nomeadamente na avaliação e gestão do risco, planeamento, comunicação interinstitucional, vigilância epidemiológica e o poder de AS.
Este ano, pela primeira vez, a Unidade de Saúde Pública da ULS Algarve colocou uma equipa de vigilância epidemiológica na 44.ª Concentração Internacional de Motos, coordenada por um MSP e constituída por MISP de várias ULS do país. A equipa permitiu a deteção precoce de potenciais situações de risco que pudessem fazer perigar a saúde da população e uma resposta mais rápida e eficaz. Pretende-se, em 2027, voltar a constituir equipas de vigilância epidemiológica neste e noutros grandes eventos no Algarve. A diversidade dos eventos, a experiência e ação pedagógica da equipa, bem como a própria região do Algarve, poderão ser atrativos para os MISP participarem neste processo in loco. Fica o desafio e o convite!
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Referências:
[1] World Health Organization (2015). Public Health For Mass Gatherings: Key Considerations. WHO, Geneva.
[2] Direção-Geral da Saúde (2023). Norma 003/2023 de 10/05/2023 – Preparação e Resposta em Eventos de Massa. Lisboa, Portugal.
[3] World Health Organization (2024). Public Health Preparedness for Mass Gathering Events – Health Security Learning Platform. WHO, Geneva.
[4] European Centre for Disease Prevention and Control (2024). Mass gathering events and communicable diseases – Considerations for public health authorities. ECDC, Stockholm.
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Pedro Marques Mendes
Unidade Local de Saúde do Algarve
Faculdade de Medicina e Ciências Biomédicas da Universidade do Algarve



